segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Francisco no Angelus: "Jesus nos acorda do sono da morte"



Texto completo. O Papa explicou que "a alegria e as lágrimas encontram em Jesus uma síntese que é o fundamento da nossa fé e da nossa esperança"

Por Redação
ROMA, 02 de Novembro de 2014 (Zenit.org) - Da janela de seu escritório no Palácio Apostólico, na celebração dos fiéis defuntos, o Papa rezou o Angelus com uma multidão presente na Praça de São Pedro.
Dirigindo-se aos fiéis e peregrinos de todo o mundo, que o saudava com um longo aplauso, o pontífice argentino disse:
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Ontem celebramos a Solenidade de Todos os Santos e hoje a liturgia nos convida a celebrar os fiéis defuntos. Estas duas festas estão intimamente relacionadas entre si, assim como a alegria e as lágrimas encontram em Jesus Cristo uma síntese que é o fundamento da nossa fé e da nossa esperança. Por um lado, de fato, a Igreja, peregrina na história, se alegra com a intercessão dos santos e beatos que a sustentam a missão de anunciar o Evangelho, por outro lado ela, como Jesus, compartilha as lágrimas daqueles que sofrem a separação de seus entes queridos e, como Ele e com Ele, ele o seu agradecimento ao Pai que nos libertou do domínio do pecado e da morte.
Entre ontem e hoje muitos visitam o cemitério, que, como diz a palavra, é o "lugar de descanso", à espera do despertar o final. É belo pensar que o próprio Jesus vai nos despertar. O próprio Jesus que revelou que a morte do corpo é como um sono do qual ele nos desperta. Com esta fé nos apoiamos - inclusive espiritualmente—diante dos túmulos de nossos entes queridos, daqueles que nos amaram e nos fizeram algum bem. Mas hoje somos chamados a recordar a todos, inclusive aqueles que ninguém se lembra. Recordemos as vítimas da guerra e da violência; muitos "pequenos do mundo" esmagados pela fome e pela miséria; recordemos os anônimos que descansam no ossuário comum. Recordemos nossos irmãos e irmãs assassinados por serem cristãos; e aqueles que sacrificaram a vida para servir aos outros. Confiemos ao Senhor especialmente aqueles que nos deixaram neste último ano.
 A tradição da Igreja sempre exortou os fiéis a rezarem pelos defuntos, em particular, oferecendo a Celebração Eucarística por eles: esta é a melhor ajuda espiritual que podemos dar às almas, especialmente às mais abandonadas. O fundamento da oração de sufrágio está na comunhão do Corpo Místico. Como reitera o Vaticano, "a Igreja peregrina sobre a terra, bem ciente desta comunhão de todo o corpo místico de Jesus Cristo, desde os primeiros tempos da religião cristã, tem honrado com grande piedade a memória dos mortos”. (Lumen Gentium, 50).
A memória dos defuntos, o cuidado pelas sepulturas e os sufrágios são o testemunho de uma confiante esperança, enraizada na certeza de que a morte não é a última palavra sobre o destino do ser humano, porque o homem está destinado a uma vida sem limites, que tem sua raiz e sua realização em Deus. Dirijamos a Deus esta oração:
Deus de infinita misericórdia, confiamos à tua imensa bondade aqueles que deixaram este mundo para a eternidade, onde Tu aguardas toda a humanidade redimida pelo sangue precioso de Cristo Teu Filho, morto para nos libertar dos nossos pecados.
Não olhes, Senhor, para as tantas pobrezas e misérias e fraquezas humanas quando nos apresentarmos diante do Teu tribunal, para sermos julgados, para a felicidade ou a condenação.
Dirige para nós o teu olhar misericordioso que nasce da ternura do teu coração, e ajuda-nos a caminhar na estrada e uma completa purificação. Não se perca nenhum dos teus filhos no fogo eterno do inferno onde já não poderá haver arrependimento.
Te confiamos, Senhor, as almas dos nossos entes queridos, das pessoas que morreram sem o conforto sacramental, ou não tiveram ocasião de se arrepender nem mesmo no fim da sua vida. Que nenhum tenha receio de te encontrar depois da peregrinação terrena, na esperança de sermos recebidos nos braços da tua infinita misericórdia.
Que a irmã morte corporal nos encontre vigilantes na oração e carregados de todo o bem realizado ao longo da nossa breve ou longa existência. Senhor, nada nos afaste de Ti nesta terra, mas tudo e todos nos apoiem no ardente desejo de repousar serena e eternamente em Ti. Amem”.
Com esta fé no destino supremo do homem, nos dirigimos a Virgem Maria, que padeceu sob a cruz o drama da morte de Cristo e, depois, participou na alegria da sua ressurreição. Nos ajude, Porta do Céu, a compreender sempre mais o valor da oração de sufrágio pelos defuntos. Eles estão conosco! Nos sustente em nossa peregrinação cotidiana aqui na terra e nos ajude a nunca perder de vista o objetivo final da vida, que é o Paraíso. E nós, com esta esperança que nunca decepciona, vamos em frente!
Após estas palavras, o Santo Padre rezou o Angelus:
Angelus Domini nuntiavit Mariae ...
No final da oração, foi a vez das tradicionais saudações:
Queridos irmãos e irmãs,
Saúdo as famílias, grupos paroquiais, associações e todos os peregrinos de Roma, Itália e de muitas partes do mundo. Em particular, saúdo os fiéis da diocese de Sevilha (Espanha), Case Finali em Cesena e os voluntários de Oppeano e Granzette que como palhaços oferecem terapia em hospitais. Eu os vejo lá: Continuem fazendo isso que faz tanto bem para os doentes.
Como de costume, Francisco concluiu dizendo:
Desejo-lhes um bom domingo, na memória cristã de nossos entes queridos falecidos. Não se esqueçam de rezar por mim.
Bom almoço e até breve! 

Fonte: Zenit.org

SAV - Equipe

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